sábado, 3 de fevereiro de 2007

Fora

Dar um fora é uma das situações mais depressivas que conheço. Não há uma maneira simples ou amena de fazê-la. Ela é assim pois envolve algo que causa dor, invariavelmente: um fim.

Pra mim, receber um fora é tão difícil quanto dar um. Mas existem algumas coisas que podem evitar (parte d) essa dor. É tudo muito óbvio, mas nem sempre conseguimos colocar o óbvio em prática.

De acordo com a matemática:
1o.: Dar um fora é quebrar a expectativa do outro. Toda quebra de expectativa resulta em dor: isso é fato. Então, quanto menor é a expectativa, menor é a dor. Termine o quanto antes. Dói menos e é mais rápido.

2o.: Sinceridade parcial. Nem tudo deve ser dito - isso é um aprendizado difícil. Ser 100% sincero é um erro. Pode causar mais dor que o necessário. Algumas coisas podem ser omitidas causando o mesmo efeito de uma sinceridade total. Termine falando subjetivamente que acha que não devem continuar mas seja sincero até onde o outro pedir. Caso ele peça 100% da sinceridade, aí nesse caso, vá em frente. Mentir? Nunca mesmo.

3o.: Pensar nas palavras. Palavras tem poder. Não diga qualquer uma e não seja matemático nessa hora. Fale pra você mesmo e veja o quanto aquilo ia te doer. Mas dica: não tente achar frases que não vão doer nada: elas não existem.

4o.: Resistir a mentira: Ao escolher as palavras certas, dá vontade de mentir, pois as mentiras não doem no momento. Mas mentir é pensar a curto prazo. A médio e longo prazo elas só causam mais dor e você sairá como o traidor, mentiroso, enganador: é muito pior. Não minta nunca. No máximo, omita.


Terminar no meio GLS é muito complicado, porque sabe-se o quanto a carência faz mais parte desse mundo e dá pena descartar uma possibilidade, quando um só quer e o outro não. Mas forçar um relacionamento não pode. Com certeza os buracos aparecerão mais tarde.

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